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Claro prestes a instalar mais uma antena no bairro

 

A instalação de mais uma Estação Rádio Base no bairro Belvedere está causando apreensão e revolta na maioria dos moradores. A empresa Claro, prestadora de serviço de telefonia móvel, enviou correspondência à Associação dos Amigos do Belvedere (AABB) informando que em atendimento à demanda na região entrou com um processo de licenciamento da estação na Secretaria Municipal de Meio Ambiente. E, que para o licenciamento da antena está cumprindo todo o processo conforme normas da legislação vigente e as deliberações normativas do Conselho Municipal do Meio Ambiente (Comam), que definem parâmetros de distanciamentos, afastamentos e das emissões de ondas eletromagnéticas. A nova antena da Claro será instalada na Rua Rodrigo Otávio Coutinho, 50, na fachada do prédio do supermercado MartPlus.

A preocupação dos moradores é com relação aos efeitos da exposição às radiações eletromagnéticas pela comunidade próxima ao local. Para o presidente da Associação de Amigos do Belvedere (AABB), Ubirajara Pires Glória, esse licenciamento é um desrespeito com os moradores do bairro, pois o todo o processo se dá automaticamente, dentro do Comam, sem promover uma ampla discussão com os moradores. “Além do desrespeito em aprovar mais uma antena que vai expor os moradores a mais radiação, pois os efeitos negativos da instalação dessas antenas são discutidos no mundo todo, não chamam mais a comunidade para debater e aprovar ou não esse equipamento. Antes, havia a participação dos moradores, agora o processo é feito entre eles, sem princípios, e a aprovação já deve estar acertada”, alertou Ubirajara.

Pesquisa mostra correlação entre câncer e localização de antenas


Em Tese de Dourado defendida na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), a engenheira elétrica e moradora do bairro, Adilza Condessa Dode, mostrou a correlação entre casos de morte por câncer e localização das antenas de telefonia celular. Adilza, que para evitar exposição prolongada às radiações eletromagnéticas usa celular apenas em casos de extrema necessidade, apresentou estudos que desenvolveu há cerca de uma década, com o intuito de descobrir os efeitos físicos, químicos e biológicos da radiofrequência nos seres vivos. Na sua tese de Doutorado, Adilza Dode confirma a hipótese de que “há correlação entre os casos de óbito por neoplasia e a localização de antenas de telefonia celular, em Belo Horizonte”.
Por meio de geoprocessamento, a pesquisadora constatou que a região Centro-Sul da capital mineira possui a maior concentração de antenas e a maior taxa de incidência acumulada de mortes por câncer. A menor taxa, por sua vez, está na região do Barreiro, que também abriga o menor número de antenas instaladas.

Segunda a engenheira, “a poluição causada pelas radiações eletromagnéticas é o maior problema ambiental do século 21”. Em sua tese ela recomenda a adoção, pelo governo brasileiro, do chamado princípio da precaução, aprovado na Conferência Rio-92. “Segundo tal premissa, enquanto não houver certeza científica da inexistência de riscos, o lançamento de novo produto ou tecnologia deve ser acompanhado de medidas capazes de prever e evitar possíveis danos à saúde e ao meio ambiente.”

A pesquisadora trabalhou com a hipótese de relação entre mortes por câncer e a proximidade residencial com antenas – estações radiobase (ERB) – de telefonia celular. Ela realizou pesquisa em bancos de dados preexistentes, cruzando informações sobre óbitos, em Belo Horizonte, de 1996 a 2006, com informações populacionais fornecidas pelo IBGE.
Em seu estudo, entre os 22.543 casos de morte por câncer, no período de 1996 a 2006, a pesquisadora selecionou 4.924, cujos tipos – próstata, mama, pulmão, rins, fígado, por exemplo – são reconhecidos na literatura científica como relacionados à radiação eletromagnética. Para processar essas informações, ela contou com a co-orientação da professora Waleska Teixeira Caiaffa, uma das coordenadoras do Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte e do Grupo de Pesquisas em Epidemiologia da Faculdade de Medicina da UFMG.

Fonte: Jornal do Belvedere